A segurança não pode ficar à sombra do fluxo de informação

Série de artigos no blogue: Os desafios da gestão das paragens para manutenção | Parte 3/5

A segurança durante uma paragem para manutenção não se resume apenas às autorizações de trabalho, às instruções ou às avaliações de risco. Resulta do facto de a informação correta estar à disposição das pessoas certas, no momento certo.

A paragem para manutenção é um dos períodos de maior risco numa instalação. Vários empreiteiros trabalham em simultâneo, as fases do trabalho mudam rapidamente e o ambiente de trabalho difere do da produção normal.

Além disso, as paragens para manutenção estão quase sempre associadas a uma pressão de tempo significativa. Os prazos são apertados, há expectativas em relação ao reinício da produção e os atrasos podem acarretar custos significativos. A pressa pode levar a que as decisões sejam tomadas com base em informações incompletas ou a que as etapas de trabalho sejam apressadas sem uma coordenação adequada.

As autorizações de trabalho, os procedimentos LOTOTO (lockout, tagout, tryout) e as avaliações de risco constituem a base para um trabalho seguro. No entanto, a par destes, é necessário um fluxo contínuo de informação e uma visão comum da situação. Quando a informação não circula, os riscos de segurança também aumentam – especialmente quando o trabalho é realizado com pressa.

1. O ambiente de trabalho apresenta vários riscos e fatores de segurança

O ambiente de trabalho durante uma paragem para manutenção não só é mutável, como também envolve vários riscos simultâneos.

Na indústria de processos, o trabalho decorre frequentemente num ambiente onde existem produtos químicos, líquidos quentes, vapores e energia armazenada. Para além destes, as etapas de trabalho envolvem riscos mecânicos, elétricos e relacionados com a segurança dos processos.

Durante a paragem para manutenção, destacam-se também os riscos físicos do ambiente de trabalho, tais como o trabalho em altura, os riscos de queda e a queda de objetos de níveis superiores. As etapas de trabalho simultâneas podem dar origem a situações em que, por exemplo, trabalhos de elevação, desmontagem ou soldadura afetam diretamente o trabalho de outras pessoas.

Do ponto de vista da segurança, é essencial que todas as partes envolvidas compreendam estes riscos e saibam como estes afetam o seu próprio trabalho, especialmente quando as atividades que decorrem nas proximidades podem alterar rapidamente a situação.

2. As autorizações de trabalho são apenas um ponto de partida

A autorização de trabalho define as condições para a execução do trabalho e os requisitos de segurança a ele associados. Inclui, por exemplo, informações sobre as medidas de segurança necessárias, tais como o desligamento da fonte de energia, a descarga de pressão, a ventilação ou outras precauções específicas do local de trabalho.

A autorização de trabalho indica que o trabalho pode ser iniciado em segurança, desde que estas condições sejam cumpridas.

No entanto, durante uma paragem para manutenção, as situações podem mudar rapidamente. Se essas alterações não forem comunicadas a todas as partes envolvidas, a autorização de trabalho inicial, por si só, não é suficiente para garantir a segurança no trabalho.

Além disso, para que o trabalho seja seguro, é necessário que os trabalhadores tenham à sua disposição instruções de trabalho atualizadas e que estas sejam fáceis de encontrar. Se as instruções estiverem dispersas por diferentes sistemas ou estiverem desatualizadas, o risco de erros aumenta significativamente.

3. A colaboração entre empreiteiros requer informação partilhada

Durante as paragens para manutenção, é frequente que várias empresas trabalhem em simultâneo, e a mão-de-obra pode também ser composta por pessoas de diferentes nacionalidades.

Para que o trabalho seja seguro, é necessário que os diferentes intervenientes consigam coordenar as suas atividades. Isto não é possível sem métodos claros e uniformes de partilha de informação.

Quando se utilizam vários canais, ferramentas ou métodos diferentes, a informação pode dispersar-se e deixar de chegar a alguns dos intervenientes. Além disso, eventuais barreiras linguísticas podem dificultar a compreensão da informação e aumentar o risco de mal-entendidos.

Por isso, é importante acordar práticas comuns de comunicação e garantir que a informação esteja facilmente acessível, seja compreensível e, se necessário, multilingue. Quando todos atuam de acordo com as mesmas práticas, a cooperação decorre de forma mais harmoniosa e os riscos de segurança diminuem.

4. É necessário ser informado imediatamente sobre as alterações

Durante a paragem para manutenção, os horários sofrem alterações, são adicionadas novas tarefas e é necessário alterar a ordem de trabalho. Ao mesmo tempo, as condições de trabalho também podem mudar rapidamente – por exemplo, o isolamento da área, a temperatura, a exposição a produtos químicos ou os percursos de acesso podem diferir do que foi previamente acordado.

Se a informação sobre estas alterações for transmitida com atraso ou não chegar a alguns dos intervenientes, corre-se o risco de o trabalho continuar a ser realizado com base em dados desatualizados. Este risco é particularmente acentuado em situações de pressa, em que as ações baseadas em suposições se tornam mais frequentes.

Do ponto de vista da segurança, não basta informar sobre as alterações – é também necessário garantir que a informação chega efetivamente a todas as pessoas a quem a alteração diz respeito. Isto requer práticas de comunicação claras, canais eficazes e a responsabilidade de garantir que a informação é compreendida corretamente.

Uma comunicação de informações atualizada e eficaz é tão importante quanto as próprias instruções de segurança.

5. O quadro comum da situação contribui para a tomada de decisões seguras

A segurança não é uma tarefa isolada nem da responsabilidade exclusiva de determinadas funções, mas sim de todos os que participam na paragem para manutenção. Cada trabalhador, cada responsável pela supervisão e cada empreiteiro influencia, através das suas próprias ações, o nível de segurança com que o trabalho decorre.

Só é possível obter uma visão comum da situação se as observações forem partilhadas de forma ativa. Isto significa que as anomalias, os riscos, as alterações, bem como o andamento das tarefas e o nível de preparação, devem ser comunicados de forma aberta e sem demora.

Quando o andamento do trabalho e o grau de conclusão são do conhecimento de todos, as etapas do trabalho podem ser coordenadas de forma mais segura e evitam-se suposições erradas sobre o estado do trabalho. Num ambiente agitado, isto torna-se ainda mais evidente – sem uma visão comum da situação, as decisões são facilmente tomadas com base em informações incompletas.

Quando a partilha de informação é considerada verdadeiramente importante, a informação circula de forma natural e contribui para uma melhor tomada de decisões e para uma gestão proativa da segurança.

A visão comum da situação não é, portanto, apenas uma ferramenta de gestão, mas sim uma responsabilidade partilhada por toda a comunidade de trabalho e um requisito essencial para a tomada de decisões seguras.

Resumo

A segurança de uma paragem para manutenção depende de vários fatores.

As autorizações de trabalho, os procedimentos LOTOTO e as avaliações de risco são essenciais, mas, a par disso, é necessário um fluxo de informação fluido, instruções de trabalho atualizadas e uma visão comum da situação – especialmente quando o trabalho é realizado com prazos apertados.

Independentemente dos sistemas, ferramentas ou canais de comunicação utilizados, não há margem para compromissos na implementação da segurança. A informação deve circular de forma fiável, as instruções devem estar atualizadas e os procedimentos devem ser claros – sem qualquer concessão.

Quando a informação correta chega às pessoas certas no momento certo e a segurança é respeitada sem exceções, a segurança não se torna um processo isolado, mas sim uma parte natural da gestão diária da paragem para manutenção.


Este artigo faz parte de uma série de publicações no blogue

Este artigo faz parte de Os desafios da gestão das paragens para manutenção -uma série de artigos em que abordamos os desafios mais comuns relacionados com o planeamento, a gestão e a execução das paragens para manutenção.

Na próxima parte:

Quanto custa, na realidade, uma gestão deficiente das paragens para manutenção?

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